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quinta-feira, 2 de julho de 2009

Doença de Parkinson








A doença de Parkinson
Descrita primeiramente por James Parkinson em "An Essay on the Shaking Pulse" (1817) a doença de Parkinson é um dos distúrbios do movimento que mais acomete os idosos. É caracterizada por quatro sinais essenciais: rigidez, tremor, bradicinesia, e instabilidade postural. Há também comprometimento cognitivo que, aliado ao distúrbio motor, gera incapacidade comparável aos acidentes vasculares cerebrais.
A doença de Parkinson é um desequílibrio do sistema nervoso central que afecta milhares de pessoas. Porque não é contagioso e não tem que ser relatado por médicos, a incidência da doença é frequentemente subestimada. A doença de Parkinson pode aparecer em qualquer idade, mas é pouco comum nas pessoas com idade inferior a 30 anos, o risco de desenvolvê-la aumenta com a idade. Ocorre em todas as partes do mundo, e os homens são ligeiramente mais afectados do que mulheres.



1 - Epidemiologia




A prevalência da DP é estimada em cerca de 85 a 187 casos por 100.000 habitantes. A faixa etária mais acometida situa-se entre os 50 e 70 anos, com o pico aos 60 anos. A incidência em homens é ligeiramente maior que em mulheres (3:2).
No entanto, pacientes com idade inferior a 40 anos ou mesmo 21 anos também podem ser acometidos pela moléstia. No primeiro caso fala-se em parkinsonismo de início precoce e no segundo fala-se em parkinsonismo juvenil.



2 - Etiopatogenia



O quadro anatomopatológico na DP é rico. Os corpos de Lewy são considerados a principal característica patológica da DP, podendo ser encontrados em outras doenças degenerativas ou mesmo em indivíduos assintomáticos (seria condição pré-sintomática?). Tais corpos são inclusões citoplasmáticas eosinofílicas constituídas por várias estruturas de natureza protéica encontradas em áreas de degeneração celular, podendo ser consideradas como marcadores de perda neuronal.

Diversas hipóteses tem sido propostas para explicar a origem da DP. Para cada uma delas há pontos a favor e pontos contrários, de modo que se pode pensar que a origem da doença se deva a uma combinação de, talvez, destes factores aliados a outros que possam vir a ser descobertos.
Actualmente há cinco linhas de raciocínio de maior interesse no que se refere a etiologia da DP:
Acção de neurotoxinas ambientais
Produção de radicais livres
Anormalidades mitocondriais
Predisposição genética
Envelhecimento cerebral



2.1 - Acção de neurotoxinas ambientais



Tal hipotese baseia-se primáriamente no achado de que a substância 1-metil-4-fenil-1-2-3-6-tetraidropiridina (MPTP, constatado em 1976 após um "surto" de parkinsonismo em usuários de uma determinada remessa de heroína nos EUA) destroí selectivamente neurónios dopaminérgicos da SNc (substância negra compacta). A MPTP deve ser oxidada a MPP+ pela enzima MAO-B (momoamina oxidase B) para ser neurotóxica. O MPP+ é captado por terminais dopaminérgicos e após ser interiorizado inibe a enzima NADH Co Q1 redutase, uma enzima mitocondrial que actua na cadeia respiratória. Digno de nota o facto que drogas que bloqueiam a MAO-B, como a selegilina, bloqueiam a toxicidade do MPTP.
O quadro parkinssoniano induzido pelo MPTP não é idêntico a DP, tendo o paciente menos tremor, maior comprometimento de equilíbrio e marcha e prejuízo cognitivo mais evidente. Estudos em primatas não demonstraram de maneira definitiva que o quadro induzido pelo MPTP induza degeneração de neurónios colinérgicos ou aparecimentos de corpos de Lewy no córtex cerebral, tal como ocorre na DP.



Alguns estudos tem constatado uma maior incidência de DP em populações expostas a toxinas agro-industriais e água de poço. Entretanto, a exposição repetida e prolongada a determinada toxina parece improvável, uma vez que a taxa de concordância em indivíduos que vivem longos períodos próximos é bastante baixa.



2.2 - Produção de radicais livres



O metabolismo normal da dopamina produz radicais hidroxila e peróxido de hidrogénio, os quais na presença de depósitos de ferro no cérebro, poderiam resultar em neurotoxidade por interferência na cadeia respiratória celular. Apesar das evidências de que a SNc se encontra sob stress oxidativo na DP, não se sabe se isto seria o evento primário ou secundário a algum outro mecanismo.



2.3 - Anormalidades mitocondriais



Já se falou anteriormente do papel da NADH Co Q1 redutase na respiração celular. Acrescenta-se a isso que a inibição desta enzima leva a produção excessiva de radicais peróxido. Nesse caso, uma deficiência genética ou secundária na cadeia respiratória poderia gerar produtos de oxidação e desencadear uma série de processos que levaria a toxicidade celular.



2.4 - Predisposição genética



A participação de factores genéticos poderia contribuir para a degeneração celular através de vários mecanismos, entre eles: susceptibilidade geneticamente determinada a toxinas ambientais e defeito capaz de gerar toxinas endógenas e/ou dificultar a sua remoção.



2.5 - Envelhecimento cerebral



Estudos histológicos e neuroquímicos mostram que a SNc é particularmente sensível ao envelhecimento em relação a outras estruturas cerebrais. Entretanto há evidências que tornam tal mecanismo pouco provável. A fase pré-sintomática da DP não é maior que 5 anos; a perda neuronal na SNc é de cerca de 45% na primeira década da doença enquanto em indivíduos normais era de apenas 4,7%. Finalmente, constatou-se por estudos anatomopatológicos que a porção da SNc que mais sofre degeneração é a região dorsal, enquanto que na DP a região mais afectada é a ventro-lateral, cujos neurónios projectam para o putâmem.






Fora Meynert (1871) quem primeiro sugeriu que na DP haveria um funcionamento defeituoso dos núcleos da base. Os núcleos da base são massas de substância cinzenta distribuídas pelo cérebro(figura 1). No caso do distúrbio motor da DP é sugerido que a falta da estimulação dopaminérgica de neurónios GABAérgicos do striatum (putâmem e núcleo caudado) que inibem a SNr (substância negra reticulata) e o Gpi (globo pálido interno); e da inibição dopaminérgica de neurónios GABAérgicos do striatum que inibem o Gpe (globo pálido externo) levaria a um aumento do "tônus" inibitório sobre o tálamo ventro-lateral. Assim o córtex cerebral receberia menor estímulo para iniciar o movimento2(figura 2, áreas muito inibidas em cinza escuro, áreas menos inibidas em cinza claro).



4 - Quadro clínico



A clínica da DP comporta sinais motores e cognitivos, entre outros. Para fins de publicação científica é necessário que o paciente apresente, no mínimo, dois sinais essenciais da doença. Por este lado, vê-se que o diagnóstico é muitas vezes complicado, visto que os sinais não aparecerão necessariamente num mesmo momento. Um paciente poderá ter, por exemplo, somente o tremor no início de sua doença.



Deve-se saber que não existe ainda um marcador biológico para o diagnóstico da DP. a propedêutica complementar é usada mais frequentemente para excluir os pacientes que não tem a DP que para afirmamos os que a têm. Deste modo, a avaliação clínica criteriosa ainda é o factor essencial para o correcto diagnóstico.



A DP é essencialmente uma doença crónica de carácter progressivo, sendo que os sintomas costumam ter início insidioso e assimétrico. Um início abrupto de sintomas faz com que devamos considerar mais um quadro de parkinsonismo de outra espécie que não a DP. Veremos agora uma breve descrição dos quatro sinais essenciais da DP e de características que falam a favor de outra forma de parkinsonismo que não a DP.
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SintomatologiaAlguns dos sintomas preliminares da doença de Parkinson. É importante salientar que nem todos os pacientes sofrem dos mesmos sintomas.



Rigidez



Rigidez aumentada nos músculos. A menos que seja facilitada temporariamente por medicamentos de anti-Parkinson, a rigidez estará sempre presente. Entretanto, aumenta durante o movimento. É frequentemente responsável por um rosto marcado por um certo tipo de aparência. Em alguns pacientes, a rigidez conduz à sensação de dor, especialmente nos braços e ombros.



A rigidez parkinsoniana é plástica ou cérea, sendo diferente da rigidez elástica característica de lesões do sistema piramidal. Acomete um segmento, um hemicorpo ou ambos os lados, acometendo todos os músculos indistintamente. O deslocamento a movimentação passiva é uniforme, podendo estar presente o sinal da roda dentada. A rigidez compartilha com o tremor oposto de manifestações iniciais da doença na maior parte dos casos. Uma explicação seria que estes sintomas "positivos" seriam mais bem percebidos pelo paciente que o fenómeno negativo (bradicinesia).



A rigidez pode estar ausente nas fases iniciais da doença. Uma forma de sensibiliza-la no exame neurológico seria a manobra de co-activação. Nesta o paciente é solicitado a realizar voluntariamente, na articulação contralateral, "em espelho", o mesmo movimento que está sendo realizado na articulação testada com movimentação passiva. Pode aparecer uma nítida rigidez com sinal da roda dentada na articulação testada



Tremor



O tremor é o sintoma que o público identifica mais frequentemente com a doença de Parkinson, mas de facto, mais de 25% dos pacientes apresentam apenas um tremor muito ligeiro ou mesmo nenhum. Quando está presente, o tremor pode ser pior num só lado do corpo. Além de afectar os membros, envolve às vezes a cabeça, a garganta, a cara, e os maxilares.



O tremor parkinsoniano mais típico é observado durante o repouso, diminuindo ou desaparecendo quando se inicia o movimento. Este tremor pode ainda se manifestar na manutenção prolongada de uma postura. A frequência do tremor é de cerca de 4 a 6 Hz. Na forma de DP com tremor predominante (DP benigna), este pode ser de frequência menor.



O tremor acomete preferencialmente os membros, podendo acometer o segmento cefálico (neste, o mais comum é o "bater de dentes"). Na sua forma mais conhecida acomete os dedos das mãos tendo a característica de "contar dinheiro" ou "rolar pílulas". Formas de tremores mais complexas podem ser encontradas, entretanto. Uma forma de sensibilizar este sinal em pacientes que não o estejam manifestando continuamente ou claramente consiste em fazer com que o paciente se abstraia com cálculos mentais.



Bradicinesia



A bradicinesia significa a lentidão do movimento. Este sintoma é caracterizado pelo atraso em iniciar os movimentos, causados pelo demora do cérebro em transmitir as instruções necessárias às partes apropriadas do corpo. Quando as instruções são recebidas, o corpo responde lentamente em enviá-las para fora.



Este sinal é o que mais serve para diferenciar o parkinsonismo de outras alterações motoras. Corresponde a uma lentidão dos movimentos, especialmente os automáticos, havendo uma pobreza geral da movimentação.



A mímica é pobre (hipomimia ou amimia), sendo a fácies inexpressiva ou congelada. A fala é monótona e sem modulação (fala monocórdica), e no fim de uma frase o doente pode repetir palavras ou sílabas (palilalia). A escrita modifica-se estando presente a micrografia. Ainda estará presente a dissinergia oculocefálica, na qual o doente, ao dirigir os olhos para um determinado lado, não acompanha com a cabeça o movimento dos olhos.



Uma forma de avaliar a bradicinesia de maneira objectiva consiste em pedir ao paciente que faça movimentos repetidos e sucessivos, como abrir e fechar o punho, ou tocar o dedo indicador contra o polegar ou mesmo bater o calcanhar contra o solo. Há uma tendência de que com a repetição dos movimentos estes se tornem mais lentos e de menor amplitude, podendo ter até períodos de completa interrupção.



Instabilidade postural



Este sinal é algumas vezes colocado como fazendo parte da rigidez muscular. O seu achado deve-se à perda de reflexos posturais. A propriocepção muscular e articular, o sistema vestibular e a visão são algumas das fontes de alimentação do sistema extrapiramidal no controle do tono postural.Os pacientes assumem uma postura muito característica com a cabeça em ligeira flexão, tronco ligeiramente inclinado para a frente, flexão moderada da perna sobre a coxa e do antebraço sobre o braço, com exagero da pinça digital nas mãos. o tronco flectidos ventralmente.






A imagem lembra a de um esquiador. Em pacientes com este sinal predominante costuma-se ter uma morbidade maior e uma progressão mais rápida da doença (DP maligna).



OBSERVAÇÃO: Outros sinais e sintomas que podem estar presentes na DP são o exagero dos reflexos axiais da face (particularmente o orbicular das pálpebras), sialorréia (que geralmente traduz bradicinesia), hiperssecreção sebácea (fácies empomadada), edema de membros inferiores, depressão do humor, quadro de inquietação muscular (acatisia). O défice cognitivo é quase uma constante nos pacientes com DP.



4.2 - Sinais de alerta para outra causa do parkinsonismo que não a DP



Estes sinais não invalidam o diagnóstico de DP, entretanto devem ser motivo de alerta e reflexão:



Quedas precoces: as quedas ocorrem geralmente em fases mais avançadas da doença (acima do estágio 3 de Hoehn e Yahr). Quedas frequentes e de início precoce sugerem outro quadro, como a paralisia supranuclear progressiva (PSP). O mesmo ocorre em pacientes que têm paralisia do olhar conjugado, principalmente do olhar vertical para baixo, que não ocorre na DP.



Progressão muito rápida: a DP evolui geralmente de maneira lenta, principalmente em pacientes mais jovens.



"Parkinsonismo da metade inferior": é atribuída aos pacientes que apresentam típica marcha parkinsoniana, a pequenos passos, com festinação e bloqueios, porém completamente isentos de qualquer outro sinal parkinsoniano. Não se trata de DP, sendo que corresponde ao comprometimento de estruturas profundas próximas aos núcleos da base ou mesmo os incluindo, devido a lesões vasculares lacunares, hidrocefalia ou mesmo enfermidades como a encefalopatia arterioesclerótica subcortical de Binswanger. Este distúrbio não apresenta resposta satisfatória a levodopa.



Desfalecimentos seguindo a hipotensão postural: este sinal de disautonomia pode ocorrer no curso da DP, porém costuma ser trazida pela medicação (levodopa, antidepressivos tricíclicos, agonistas dopaminérgicos directos, como a bromocriptina, pergolida e lisurida). A ocorrência precoce deste quadro, principalmente acompanhada de outros sinais disautonômicos (incontinência urinária e fecal, impotência sexual em jovens) sugere uma degeneração do sistema nervoso autónomo, como a que ocorre na síndrome de Shy-Drager.



Sinais piramidais ou cerebelares: não são encontrados na DP, excepto se houver lesão paralela de outra origem. A atrofia olivopontocerebelar isolada ou familiar é o quadro que deve ser de imediato lembrado em caso de sinais cerebelares com parkinsonismo. Pacientes muito jovens (abaixo dos 30 anos) com sinais piramidais e parkinsonismo, devem ser suspeitos de apresentar uma degeneração pálido-piramidal.



Estridor laríngeo: pode ocorrer na DP, entretanto é característica de degeneração estriatonigral.
Incontinência emocional: são manifestações de comprometimento bilateral das conexões aferentes supra-segmentares do tronco-cerebral, de natureza vascular na maioria das vezes.



Pode significar um parkinsonismo secundário a lesões vasculares múltiplas.



Palilalia: é muito raro na DP. Costuma ocorrer em outras formas de degeneração, como na degeneração estriatonigral.



Demência: sempre que ocorre devemos nos deter na busca de um diagnóstico alternativo, especialmente se evoluir rapidamente ou com outras manifestações neurológicas (doença de Alzheimer, degeneração córtico-basal, doença de Creutzfeldt-Jakob, hidrocefalia de pressão normal, naeuroacantocitose, doença de Huntington juvenil, entre outras).



Inibição do músculo elevador da pálpebra ou "apraxia da abertura dos olhos": não parece se tratar realmente de um fenómeno apráxico, mas uma dissinergia do mecanismo de inibição e desinibição recíproca dos músculos orbiculares dos olhos e dos elevadores das pálpebras. Pode ocorrer simultâneamente com blefaroespasmo. Na DP é pouco frequente, sendo encontrado mais em casos de Parkinsonismo-plus.



OBSERVAÇÃO: O tratamento com levodopa pode induzir complicações que irão modificar o padrão de manifestação clínica do paciente. Estes efeitos não serão discutidos neste texto.



5 - Classificação



Deve-se definir primeiramente o que vem a ser parkinsonismo. Este define-se como uma ampla categoria de doenças que apresentam uma síndrome clínica semelhante à DP, com a presença de tremor de repouso, rigidez muscular plástica, bradicinesia e instabilidade postural. Associado a estes sinais podem ser encontrados sinais piramidais, alterações da motilidade ocular extrínseca, sinais cerebelares, de disfunção autonómica, de neuropatia periférica e de disfunção cognitiva. Os termos síndrome parkinsoniana e síndrome rígido-acinética também são usados para descrever o mesmo quadro.



O diagnóstico diferencial adequado entre estas várias enfermidades nem sempre é possível. Hughes e colaboradores, em 1992, realizaram um estudo clínico-patológico em que avaliaram a precisão do diagnóstico clínico da doença de Parkinson idiopática (DP), concluindo que 20% dos pacientes que tinham o diagnóstico clínico de DP apresentavam, na verdade, outro diagnóstico anatomopatológico. Por outro lado, também pacientes que tinham quadro clínico de DP atípico apresentavam exame anatomopatológico característico de DP.



6 - Diagnóstico diferencial



Deve-se pensar, em primeiro lugar, em condições não parkinsonianas e, em seguida, nas categorias conhecidas de parkinsonismo.



6.1 - Condições não parkinsonianas



6.1.1 - Tremor essencial



Distúrbio monossintomático. É diferenciado do tremor parkinsoniano por ser mais rápido, pela tendência em se acentuar com os movimentos voluntários e por desaparecer com o repouso.



6.1.2 - Tremor senil



Corresponde ao tremor essencial agravado com a idade avançada. Pode se manifestar em repouso, além de poder predominar na cabeça.



6.1.3 - Tremor rubral



É um termo inadequado, pois não há evidências de que a lesão do núcleo rubro produza qualquer distúrbio motor além do atribuído à interrupção das fibras do brachium conjuctivum que atravessam o referido núcleo. Devido a proximidade da lesão do núcleo rubro, criou-se a expressão "tremor rubral", costumando estar nas projecções das fibras dentatorubrotalâmicas.






Trata-se de um tremor associado à ataxia cerebelar no qual qualquer acção resulta em movimento rítmico, compassado, grosseiro e violento (tremor de acção).



6.1.4 - Depressão



A depressão pode levar a pobreza de movimentos, às alterações de postura, à diminuição dos movimentos associados automáticos e a ligeira rigidez.



6.1.5 - Artropatias
Certas artropatias que levam a rigidez podem simular quadro parkinsoniano, especialmente se a coluna vertebral é acometida. Como exemplo temos a espondilite anquilosante. As mãos deformadas pela rigidez parkinsoniana pode ser confundida com as alterações causadas por artrite reumatóide. Deve-se analisar o conjunto das manifestações para se fazer o diagnóstico diferencial.



6.2 - Categorias de parkinsonismo



6.2.1 - Doença de Parkinson



Veja quadro clínico e anatomopatológico acima.



6.2.2 - Parkinsonismo secundário



Pode ser determinado por causas tais como:
Infecciosas: o parkinsonismo pós-encefalítico é actualmente muito raro (encefalites virais, como na encefalite japonesa B e na AIDS).



Medicamentosas: bloqueadores de receptores dopaminérgicos (haloperidol, pimozide, flufenazina, metoclopramida, cinarizina e flufenazina) e as depletoras de dopamina (reserpina, tetrabenazina e alfametildopa). O MPTP, o CO, o Mn e o Hg são apontados como factores tóxicos.
Vasculares: múltiplos enfartes cerebrais, principalmente em nível dos gânglios da base, são destacados.



Traumáticas: "encefalopatia pugilística".
Outros: tumores (raro) e hidrocefalia de pressão normal.



6.2.3 - Parkinsonismo heredodegenerativo



Condição incomum. Nestes casos tem-se um padrão de herança identificado.



Doença autossômica dominante dos corpos de Lewy



Doença de Huntington: Quando de início precoce, manifesta-se mais por manifestações hipotônico-hipocinéticas (parkinsonismo) que por hipotônico-hipercinéticas (coréia). A forma juvenil ocorre em somente 5% dos casos e começa, quase sempre, entre os 5 e 14 anos. Além da ocorrência familiar, dos quadros de parkinsonismo e demencial, há, também, algumas alterações da oculomotricidade, como a paralisia do olhar conjugado para cima e o retardo na iniciação dos movimentos sacádicos.



Doença de Wilson (Degeneração Hepato-Lenticular): autossômica recessiva, rara. Início quase sempre antes dos 20 anos. São altamente significativos a fácies wilsoniana, o tremor em adejo ("bater de asas"), a postura distônica, a disartria/disfagia e o anel de Kayser-Fleisher. Na parte laboratorial destaca-se a diminuição sérica da ceruloplasmina e do cobre, assim como elevação das transaminases e excreção urinária aumentada de cobre. A biópsia hepática demonstra cirrose com aumento do conteúdo de cobre. A TC do crânio revela aumento dos ventrículos laterais, alargamento dos sulcos cerebrais e cerebelares e hipodensidade nos núcleos lenticulares.
Doença de Hallervorden-Spatz: autossômica recessiva, rara. Tem início na infância ou na adolescência com sinais motores piramidais e extrapiramidais. Nestes últimos, predominam as manifestações distônicas associadas à deterioração mental. Após os 20 anos (início tardio), pode manifestar-se por parkinsonismo. Na RNM observam-se o "sinal do olho de tigre" (lesões simétricas dos globos pálidos caracterizadas por acentuação do hipossinal e área de hiperssinal central em T2).



Calcificação familiar dos gânglios da base



Neuroacantocitose



6.2.4 - Parkinsonismo-plus



Corresponde a um grupo de pacientes que, além das manifestações parkinsonianas, exibem, também, anormalidades neurológicas adicionais.



Paralisia supranuclear progressiva: apresenta-se com parkinsonismo progressivo, distúrbios de oculomotricidade, fácies de "espanto", retrocólis, apraxia da pálpebra, disartria/disfagia.



Atrofia de múltiplos sistemas: requer o preenchimento de critérios clínicos e anatomopatológicos para o diagnóstico. Clinico: sinais e sintomas parkinsonianos, autonómicos, piramidais ou cerebelares. Anatomopatológicos: perda celular em algumas ou em todas estas estruturas: caudado, putâmem, globo pálido, substância negra, núcleo coeruleus, oliva inferior, núcleo pontino, células de Purkinje, coluna intermédio-lateral e núcleo de Onuff da medula.






Compreende:



Degeneração estriatonigral: parkinsonismo, estridor laríngeo, disartria, disfagia e tendência a quedas.



Atrofia olivopontocerebelar: combinação, principalmente, de parkinsonismo, ataxia, disartria e disfagia.



Síndrome de Shy-Drager: parkinsonismo com hipotensão postural e anormalidades do ciclo do sono.



Degeneração gangliônica córtico-basal: alterações motoras (parkinsonismo nitidamente assimétrico, distonia e mioclonias), da sensibilidade especial (astereognosia, agrafoestesia e apalestesia), apraxia, fenômeno da mão alienígena4.



OBSERVAÇÃO: Com relação a demência, as relações entre as doenças de Parkinson, de Alzheimer e a do corpo de Lewy difuso são extremamente difíceis de abordar. Sabe-se que pode ocorrer demência em cerca de 20% dos pacientes com a DP, sendo este acometimento tardio.






Por outro lado, pode ocorrer parkinsonismo em 30% dos pacientes com a Doença de Alzheimer.






Há, ainda, a Doença do corpo de Lewy difuso, considerado, por alguns, como variante da Doença de Alzheimer ou uma forma intermediária entre a DP e a Doença de Alzheimer.



Referências
1-BENNETT, J.C., PLUM, F. Cecil tratado de medicina interna.20.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1997. 2v.
2-JANKOVIC, J., TOLOSA, E. Parkinson's disease and movement disorders. 2.ed. Baltimore, Maryland: Williams & Wilkins, 1993.
3-MACHADO, A. Neuroanatomia funcional.1.ed. Rio de Janeiro, São Paulo: Livraria Atheneu, 1977.
4-MENESES, M. S.; TEIVE, H. A. G. Doença de Parkinson; aspectos clínicos e cirúrgicos. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1996.
5-SANVITO, W. L. Síndromes neurológicas. 2.ed. Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo: Editora Atheneu, 1997.

terça-feira, 30 de junho de 2009


INTRODUÇÃO
Um acidente vascular cerebral (AVC) ocorre quando
uma parte do cérebro deixa de ser irrigada pelo sangue.
Isto sucede sempre que um coágulo se forma num vaso
sanguíneo cerebral ou é transportado para o cérebro depois
de se ter formado noutra parte do corpo, interrompendo o
fornecimento de sangue a uma região do cérebro.
Pode, também, resultar da ruptura de uma artéria cerebral e, neste
caso, o sangue que dela extravasa vai destruir o tecido
cerebral circundante. Em qualquer dos casos, o tecido
cerebral é destruído e o seu funcionamento afectado.
É do cérebro que partem os estímulos para movimentar os
músculos. A metade direita do cérebro comanda o lado
esquerdo do corpo e vice-versa. Por conseguinte, uma lesão
na metade direita do cérebro pode causar paralisia do lado
esquerdo, enquanto que uma lesão da metade esquerda do
cérebro pode causar paralisia do lado direito. As lesões da
metade esquerda do cérebro podem dar origem a
perturbações da fala e levar o doente a perder a percepção
do lado direito do corpo ou do ambiente que o rodeia.
À paralisia de um dos lados do corpo dá-se o nome de
hemiplegia (esquerda ou direita); a perda da capacidade da
linguagem chama-se afasia. Podem ainda ocorrer outros
problemas, como a perda da sensibilidade ou da força no
lado afectado, perturbações do equilíbrio e alterações da
visão.

VIVER APÓS UM ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL
Uma pessoa que sofre um acidente vascular cerebral deve
sempre ser observada num hospital, no mais curto espaço
de tempo, para se avaliar a necessidade de internamento
e ser estabelecido tratamento adequado, até para evitar que
o acidente se repita.
Quando vai para casa, não obstante a sua incapacidade, é
importante que o doente procure executar tarefas da vida
diária, como sejam, virar-se na cama, levantar-se e sentarse
na beira da cama, lavar-se, comer, reeducar os intestinos
e a bexiga ou utilizar a cadeira de rodas.
A maior parte das pessoas conseguem, após um acidente
vascular cerebral, voltar a executar, sozinhas, essas
actividades, desde que tenham a ajuda e o encorajamento
adequados; outras aprendem o suficiente para necessitarem
de pouca assistência.
Um assunto tão vasto como o acidente vascular cerebral,
que abrange indivíduos com diferentes graus de incapacidade
e grande diversidade de doenças associadas, não pode ser
totalmente esgotado neste guia. No entanto, é aqui feita
referência à maior parte das actividades essenciais à
autonomia, baseadas no quadro clínico resultante do tipo de
acidente vascular mais frequente. Se houver dúvidas sobre
o caso concreto de um doente, deve ser consultado o médico
ou a enfermeira.
Explicar, de uma maneira simples, o que é um AVC é uma
forma de diminuir a ansiedade que esta situação pode
provocar e de tornar mais claros os procedimentos a adoptar.

COMO AJUDAR ALGUÉM QUE SOFREU
UM ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL
As pessoas que sofreram um AVC devem, por si próprias
e o mais cedo possível, procurar a autonomia e
desempenhar um papel activo na sua recuperação.
É natural que tenham receio de experimentar novas ocupações.
De início, devem ser estimuladas a realizar tarefas simples
que estejam ao seu alcance, sendo-lhes dada a ajuda
suficiente para que obtenham bons resultados.
Alguns aspectos a valorizar pelos familiares quando prestam
cuidados aos doentes com AVC:

Deve ser dada apenas a ajuda necessária para que a
pessoa consiga executar determinada tarefa. Há famílias
que, com boas intenções, prestam demasiada ajuda, o
que leva a que o doente não faça o suficiente pelos seus
próprios meios e, por conseguinte, perca a confiança em
si próprio. Deve deixar-se que execute sozinho as tarefas,
mesmo que demore mais tempo.
 Deve-se encorajar o doente sem se lhe exigir demasiado.
É necessário ser firme, mas compreensivo, e nunca se
mostrar impaciente ou zangado.
VIVER APÓS UM ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL

 Depois do AVC, o doente pode ter reacções estranhas,
como chorar ou rir, sem motivo aparente. Isto não deve
causar preocupação, porque se trata de uma manifestação
normal da doença, que desaparece progressivamente com
a sua evolução.
 O doente deve ser encorajado a receber visitas, a sentarse
na varanda ou no jardim e a passear na rua. Não deve
ficar isolado.
 Não esquecer que, apesar da sua incapacidade, este
doente deverá ser tratado com respeito, ser integrado nos
assuntos da família, sendo-lhe pedida ajuda em pequenos
trabalhos domésticos.
 Deve estimular-se o doente a sair de casa e a integrarse
na comunidade. Existem centros de dia para pessoas
idosas e com incapacidades, que podem proporcionarlhe
outras companhias e actividades. Quanto mais
ocupado e activo estiver, melhor será a sua atitude,
disposição e recuperação.

COMO ADAPTAR O MOBILIÁRIO
E O EQUIPAMENTO
Cama altura da cama deve permitir que uma pessoa possa sentar-se nela, confortavelmente, com os pés assentes no chão.
Deve ser estável, para o que convém colocá-la num canto, contra a parede, e aplicar-lhe calços de borracha ou de madeira.
A cama deve ser colocada de maneira a que, quando o doente estiver deitado de costas, o seu lado são fique na borda da cama que está afastada da parede, facilitando o acesso à pessoa que cuida dele.
O colchão deve ser duro e, se necessário, com um estrado de madeira por baixo. Sempre que o doente estiver deitado, o pé afectado deve ser apoiado de lado, por forma a que não descaia e que os dedos fiquem virados para cima. Esta posição facilitará o treino para voltar a andar.
Recomenda-se a utilização de uma protecção para os pés (gaiola ou cunha).
Mesas e Cadeiras
A mesa de cabeceira deve ser colocada do lado são da pessoa, para facilitar a sua autonomia.
As mesas de "trabalho" (para comer, escrever, etc.) devem ser estáveis, sólidas e suficientemente altas, de forma a não exercerem pressão nos membros inferiores e coxas, quando a pessoa estiver sentada com as pernas debaixo dela.
As cadeiras devem ser sólidas, com encosto e apoio para as mãos e os antebraços.

Cadeira de rodas rodas
Na fase inicial da recuperação, durante a aprendizagem da marcha, o doente poderá beneficiar com a utilização de uma cadeira de rodas, que lhe permitirá deslocar-se com segurança, ir à casa de banho, participar mais activamente na vida familiar e sair para a rua. Mais tarde, à medida que for fazendo progressos no andar, poderá dispensá-la. É, por isso, aconselhável recorrer primeiro ao aluguer e só fazer a compra se vier a ser necessária permanentemente.
Neste caso, deverá dar-se preferência ao tipo dobrável, que possua as seguintes características:
 travões eficazes e fáceis de manobrar
 altura do assento que permita que os pés cheguem ao
chão
 rodas traseiras largas e rodas dianteiras de pequenas
dimensões
 apoios, para os braços, planos e acolchoados
 apoios, para os pés, que se possam levantar
Como o comando da cadeira de rodas é unilateral, bastam a mão e o pé sãos para a utilizar. A pessoa pode pôr a cadeira em movimento e orientar a velocidade com a mão sã e guiála
com o pé são.
EXERCÍCIOS
Conveniente que seja um fisioterapeuta a explicar ao doente e à família como executar os exercícios adequados. Estes ajudarão a prevenir a rigidez e a readquirir alguma força no lado afectado, devendo ser executados com regularidade e de acordo com as instruções dadas.
São apresentados, a seguir, alguns exemplos de exercícios que podem ser realizados em casa.
Mãos e Braços
A movimentação dos braços e ombros deve ser cuidadosa e gradual. Não se pode pretender que o doente execute o movimento completo à primeira tentativa, mas é importante repetir o exercício várias vezes até o conseguir, ainda que isso cause alguma dor e fadiga. A imobilidade das articulações seria ainda mais dolorosa.
A instalação de uma "roldana", em casa do doente, permitirlhe- á realizar outros exercícios de mobilização.
Ancas
Deitado de costas, o doente deverá, primeiramente, dobrar os joelhos (se necessário, com a ajuda de outra pessoa) e pressionar os pés contra o colchão. Em seguida, conservando os joelhos unidos, deverá levantar as ancas.
Pernas e Pés
Realizar movimentos de extensão e flexão dos pés, ou seja,
esticar e encolher os pés.
Andar
A BENGALA deve ter um bom apoio para as mãos e altura que, quando assente no chão, permita que o cotovelo do doente fique ligeiramente dobrado.
A CANADIANA deve ter as mesmas características que a bengala, devendo permitir que haja um espaço livre entre a parte superior da canadiana e a axila do utilizador.
Pode também ser utilizado um ANDANDARILHO ARILHO ARILHO, que tem a vantage de dar mais estabilidade.
PARA ANDAR , pôr a bengala ou a canadiana à frente e ligeiramente ao lado do pé são. Avançar o pé doente até ao sítio em que foi posta a bengala. Pôr todo o peso do corpo na perna doente e na bengala, e dar um passo em frente com o pé são. Durante a marcha, o pé doente não deve avançar para além da bengala ou da canadiana.
Escadas
Para que o doente possa utilizar uma escada, é necessário que esta possua dois corrimões, um de cada lado da escada, ou um só, colocado ao centro.
O ensino de subir e descer escadas tem de ter em conta as incapacidades do doente e as características das escadas que o doente utiliza.

PARA ARA SUBIR SUBIR:
Deve agarrar-se o corrimão com a mão sã e colocar o pé são no degrau seguinte. Com a mão no corrimão e a perna sã como apoio, inclinar-se para a frente, esticar o joelho são e colocar o pé doente ao lado do são no mesmo degrau. Subir um degrau de cada vez

PARA ARA DESCER DESCER:
Antes de começar a descer, certificar-se que a ponta do pé são se encontra na beira do degrau.
Segurar o corrimão com a mão sã;
colocar o pé doente no degrau seguinte, dobrando o joelho são, à medida que o pé doente desce.
Quando este estiver firmemente assente, com o joelho esticado e a perna capaz de suportar o peso do corpo, descer o pé são para o mesmo degrau. Descer um degrau de cada vez.

PARA SUBIR:
Colocar o pé são na borda do passeio e, em seguida, deslocar o peso do corpo para a perna sã; colocar o pé doente na borda, ao lado do pé são e, ao mesmo tempo, apoiar a bengala na borda do passeio.
PARA DESCER:
Colocar a bengala na estrada, com os dedos do pé são sobre a borda do passeio; colocar o pé doente na estrada, dobrando o joelho são à medida que o pé for descendo. Quando a perna doente e a bengala estiverem aptas a suportar o peso do corpo, descer o pé são.
HIGIENE
Sanita
Para ajudar o doente a sentar-se e levantar-se da sanita, fixar uma barra, na parede, junto à sanita, do lado da mão sã. Se não houver parede desse lado, fixar a barra no chão. Tanto a barra como a sanita devem ter altura adequada à altura do doente.
Para a noite, ou se não tiver sanita, pode usar-se um bacio alto.
Passa assa assagem em da cadeira de rodas odas para a sanita
 A porta da casa de banho deve ter largura suficiente para a cadeira de rodas passar.
 Colocar, em frente da sanita, a cadeira de rodas travada e com os apoios dos pés levantados.
 O doente deve pôr os pés no chão, agarrar-se com a mão sã à barra de apoio, inclinar-se para a frente, virar o pé são e sentar-se na sanita.
As calças devem ser desabotoadas antes de sair da cadeira, para que elas caiam quando a pessoa se levantar.
É conveniente habituar os intestinos a funcionar de manhã, antes de se ter arranjado.
Banho
Equipamento para garantir a segurança do doente na banheira:
 Usar duas cadeiras, uma colocada dentro e outra fora da banheira. Os assentos das cadeiras devem ficar ao mesmo nível da borda da banheira. Pôr calços de borracha nos pés das duas cadeiras.
 No fundo da banheira, pôr um tapete de borracha com ventosas ou colar tiras de borracha.
 Instalar barras de apoio na parede lateral e na parede de topo da banheira.
 Dispor de chuveiro tipo "telefone" com uma mangueira flexível.
Para evitar queimaduras, tem de testar-se a temperatura da água. Podendo ser o doente a fazê-lo, deverá, para isso, usar a mão sã.
Para o doente se sentar na cadeira, deve fazer entrar primeiro, na banheira, o lado doente do corpo.
Para se lavar e usar o chuveiro, o doente deve usar a mão sã, utilizando uma escova de cabo comprido para lavar as costas e os pés.
Deve enxugar-se sentado.
SE NÃO HOUVER BANHEIRA ANHEIRA NEM CHUVEIR CHUVEIRO, usar uma tina de plástico.
A pessoa senta-se, com os cuidados referidos anteriormente, e utiliza um balde pequeno ou uma bacia, para despejar a água sobre si mesma.
Fazer a barba
Sentar-se numa cadeira, junto a uma mesa, sobre a qual se põe o espelho. É preferível usar máquina de barbear. Se usar lâmina de barbear, coloque a mão afectada debaixo do queixo,
para apoiar a cabeça, ou coloque o queixo sobre almofadas. Pentear entear Poderá usar um pente de cabo comprido ou atar uma pega comprida ao pente.
Cuidar das unhas
Se o não puder fazer convenientemente, o doente deve ser auxiliado nesta tarefa.
VESTIR
Vestir para que a pessoa não possa sair de casa, deve arranjar-se como se fosse sair. É necessário fazer algumas adaptações no seu vestuário.
 Os fatos de treino podem ser uma boa opção: são quentes, confortáveis e as calças têm um cós de elástico muito prático.

 As calças poderão ser mais fáceis de vestir do que as saias e as meias, especialmente quando for necessário o uso de talas.
 Os sapatos devem ser de tamanho adequado, aconselhando-se os que têm elásticos laterais, pela facilidade com que se calçam e descalçam; os "ténis" com fita de velcro são mais práticos do que os de atacadores
As roupas para o tronco devem ser abotoadas à frente.
 As casas dos botões devem ser alargadas, e os botões pequenos substituídos por outros maiores.
 Se usar gravata, esta deve ter o nó já feito.
Camisa, vestido ou casaco
A pessoa, sentada, deve desdobrar a camisa, desabotoá-la, no colo, com a parte da frente voltada para baixo e o colarinho afastado de si. Com a mão sã, meter a mão doente na manga correspondente e ajustar a manga pelo braço acima. Atirar o resto da camisa para trás de si
e puxar a manga para cima, até que fique encaixada no ombro. Introduzir, em seguida, a mão sã na outra manga e vesti-la. Um vestido, camisola ou casaco é vestido da mesma maneira que uma camisa. No entanto, no caso de um vestido, é necessário levantar-se e ajeitar a saia antes de abotoá-lo.

Com a mão sã, puxar a camisa do ombro afectado; agarrar o meio da frente e retirá-la para o lado, despindo o ombro são. Retirar o braço são da manga. Com a mão sã, segurar o punho e despir a manga do braço afectado.
Calças
A pessoa deve sentar-se, cruzar a perna afectada com a ajuda da mão sã e enfiá-la nas calças. Em seguida, introduzir o pé são na outra perna das calças e puxá-las para cima. Se conseguir estar de pé, deve encostar-se a uma parede ou a um móvel seguro e puxar as calças com a mão
sã. Caso contrário, terá que se deitar, dobrar o joelho são e apoiar-se sobre o pé são, para levantar as ancas, puxar as calças até à cintura e abotoá-las.
Se conseguir equilibrar-se de pé, deverá apoiar-se com a perna sã, desapertar as calças e puxá-las para baixo; sentar-se e despir, em primeiro lugar, a perna sã.
Cruzar a perna afectada e despi-la. Se não se conseguir equilibrar, terá de se deitar e desapertar as calças, dobrar o joelho são (empurrando o pé são contra a cama para levantar as ancas) e despir as calças.
Meias
Com a mão sã, cruzar a perna afectada, de forma a que o pé fique ao alcance da mão sã; com a ajuda desta mão, colocar a abertura da meia no pé afectado e, já com o pé no chão, acabar de a calçar.
Com a mão sã, cruzar a perna afectada e descalçar a meia. Em seguida, cruzar a perna sã e descalçar a outra meia.
Sapatos
Com a ajuda da mão sã, cruzar a perna afectada, segurar o pé afectado e introduzi-lo no sapato. Se não conseguir calçar totalmente o sapato, utilizar uma calçadeira de cabo comprido. Se o pé não entrar facilmente, pô-lo no chão e fazer força com o joelho, tendo o cuidado de manter a calçadeira no sítio.

Soutien
Se possível, usar soutien que aperte à frente. Se for apertado atrás: colocar o soutien à volta da cintura com a parte de trás para a frente. Apertar os colchetes e rodá-lo para a posição correcta. Com a mão sã, levar as alças até aos ombros.
ACTIVIDADES DOMÉSTICAS
Cozinha
eve organizar-se a cozinha de forma a que a pessoa
possa executar as tarefas sentada, numa cadeira
confortável. A mesa de trabalho deve ter altura adequada à
estatura do utilizador. Os produtos alimentares e os utensílios
de cozinha deverão estar guardados em locais de fácil acesso.
Os armários e gavetas deverão ter puxadores que se possam
manejar com uma só mão. Para tornar mais fácil a execução
das tarefas domésticas, devem ser utilizados, sempre que
possível, aparelhos eléctricos, como o isqueiro eléctrico, em
vez de fósforos, abre-latas eléctrico, etc. A utilização de
alimentos congelados, e parcialmente preparados, facilita a
confecção das refeições.
Limpeza da casa
As tarefas mais pesadas terão, certamente, que ser
realizadas por outra pessoa. O doente pode, no entanto, com
a mão sã, servir-se de escovas, esfregonas ou do aspirador.
Para lavar a roupa, é desejável usar uma máquina.
O estendal da roupa e a tábua de engomar devem ser
ajustados à altura da pessoa. O ferro de engomar deve ser
leve.
COMUNICAÇÃO
Provocada por uma lesão no lado esquerdo do cérebro,
a afasia consiste numa perturbação, mais ou menos
grave, da linguagem oral e escrita e da compreensão da
palavra falada ou escrita. Podem verificar-se dificuldades no
uso da gramática, na nomeação dos objectos, na soletração
das palavras e no cálculo.
A afasia pode, assim, afectar a compreensão daquilo que
os outros estão a tentar comunicar ao doente, podendo existir,
portanto, uma incapacidade para perceber e seguir
orientações dadas por outros, bem como interpretar
situações. Pode verificar-se ainda a chamada afasia global
que é a perda total da faculdade da linguagem.
Em geral, a afasia não é um estado progressivo e não piora,
diferindo em tipo e gravidade de pessoa para pessoa.
Independentemente da gravidade da situação, a pessoa com
afasia tem que ser tratada como uma pessoa madura e
inteligente. Ela é, acima de tudo, a mesma pessoa que era
antes de adoecer. A ajuda possível consiste numa terapia
orientada por terapeutas da fala, que deverá ter início o mais
cedo possível, após a fase aguda do acidente vascular
cerebral. A terapia da fala irá auxiliar a pessoa a comunicar
mais facilmente, animando-a e tornando-a mais interessada
pelo seu estado e pela compreensão da natureza do seu
problema.

Apoiar uma pessoa com afasia
Poderá ser difícil obter os serviços de um terapeuta da fala
que se ocupe, de forma permanente, de um doente afásico.
Neste caso, será útil ter presente que:
 Deve começar-se com palavras que sejam importantes
para a pessoa afásica e para as suas necessidades
essenciais (cama, refeições, utilização da casa de banho).
 Será mais fácil para o doente aprender nomes de coisas
que ele possa ver, ouvir ou sentir (mão, pão, camisa), em
vez de termos gerais (alimentos, roupa).
 O doente aprenderá com mais facilidade, em primeiro lugar,
substantivos, em seguida, verbos e adjectivos e, só mais
tarde, advérbios, preposições e conjunções.
 Será preferível, de início, fazer uma lista prática com cerca
de 25 palavras (cama, cadeira, mesa, água, casa de
banho, sim, não, etc.), e quando a pessoa tiver aprendido
estas, ensinar-lhe uma lista mais extensa.
 Pequenas sessões de treino, repetidas com frequência,
darão melhores resultados do que longas sessões menos
frequentes.
Muito poucos doentes recuperam totalmente a capacidade
para ler, escrever e falar. Podem tentar-se outras formas de
comunicação, tais como a mímica, gestos e a utilização de
desenhos. É conveniente dar ao doente um quadro ou um
bloco, com um determinado número de palavras, expressões
ou figuras essenciais, seleccionadas, para as quais ele possa
apontar, de forma a expressar as suas vontades ou
necessidades. De igual modo, se conseguir escrever, deverá
ter sempre à mão papel e caneta ou lápis.
A maioria das pessoas afásicas compreendem melhor as
imagens do que as palavras. Por conseguinte, deve tentarse
mostrar-lhes o que se gostaria que elas fizessem, em vez
de esperar que sigam instruções verbais, incompreensíveis
para elas. Estas pessoas distraem-se a ver filmes, televisão
ou jogos visuais (cartas, dominó, loto).
Uma vez que a compreensão da música é uma função
localizada no lado direito do cérebro, as pessoas afásicas
poderão ser capazes de distinguir entoações da fala, mais
facilmente do que palavras, e de as apreciar.
A família de uma pessoa afásica poderá ajudá-la criando,
em casa, uma atmosfera de compreensão. É necessário
permitir e encorajar a comunicação, fazendo com que os seus
erros não possam ser objecto de crítica ou postos a ridículo.
Os seus esforços para melhorar devem ser sempre elogiados,
e mesmo os mais pequenos resultados devem ser acolhidos
como grandes êxitos. Simultaneamente, deverá tomar parte
da vida familiar e social normal, indo ao cinema, recebendo
visitas, jantando com a família.
VIVER APÓS UM ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL
É necessário fazer o possível para que o doente sinta vontade
de falar, dando-lhe todas as oportunidades para ouvir falar,
através do diálogo, da leitura em voz alta, da rádio e da
televisão.
As explicações devem ser dadas devagar e em frases curtas
e simples, mas não como se se estivesse a falar com uma
criança.
Não deve falar-se pelo doente, excepto em casos de absoluta
necessidade, mas, pelo contrário, dar-lhe a oportunidade de
falar primeiro, mesmo que seja lento a expressar-se. Não
insistir para que articule as palavras com perfeição: de início,
será suficiente que se consiga fazer compreender.
APOIO ESPECIALIZADO
ara ajudar as pessoas que tiveram um AVC, para além
do contributo da sua família e amigos, pode ser
necessária a intervenção de vários profissionais.
Médico Assistente
Um acidente vascular cerebral ocorre, geralmente, em
indivíduos que antes do AVC já tinham outra doença, tal como
tensão alta, doenças do coração ou diabetes. Assim, a pessoa
poderá ter de fazer dieta, tomar medicamentos ou ter outros
cuidados para controlar essa situação. Poderá, ainda,
necessitar de um analgésico, devido a um problema articular
que tenha surgido no lado afectado. O médico assistente
prestará ajuda e encaminhá-la-á, se necessário, para um
fisioterapeuta ou outro profissional, acompanhando o trabalho
deste.
Cabe ao enfermeiro orientar o doente e estimulá-lo a fazer
os exercícios em casa, assim como aconselhar quanto aos
cuidados a ter com a pele, bexiga e intestinos e ajudá-lo na
escolha e utilização de dispositivos e aparelhos de que
necessita.
Cabe-lhe também dar informações, apoio e orientações à
família e a outras pessoas envolvidas na prestação de
cuidados.

Fisioterapeuta
Fará os tratamentos indicados pelo médico e treinará a
pessoa na execução de exercícios e no uso das ajudas
técnicas (bengala, cadeira de rodas, etc.).
Terapeuta erapeuta ocupacional
Ajudará o doente a automatizar-se, com as capacidades
restantes, nas actividades da vida diária.
Terapeuta erapeuta da fala
Procederá à avaliação e tratamento, ou ensinará os familiares
a encarregarem-se dos exercícios de reeducação da fala.
Assistente social
A assistente social, que pode estar ligada a qualquer entidade
ou organização local (autarquia, centro de saúde, paróquia,
etc.), dará informações sobre os direitos relativos à
assistência financeira (incluindo apoio no preenchimento dos
impressos e elaboração dos pedidos) e sobre os serviços
disponibilizados pelas entidades e organizações locais.

Idosos II



Cerca de 75 por cento dos acidentes com idosos acontecem nas suas próprias casas. Saiba como prevenir acidentes.




Os acidentes com idosos sucedem-se também em alojamentos colectivos (casas de repouso, lares e outras instituições de acolhimento), no ambiente circundante ou por escorregamento na rua.


  • Eis alguns conselhos para prevenir acidentes:
    Pratique exercício físico com regularidade, de modo a melhorar a sua forma física. Faça uma alimentação equilibrada.

  • Seja cuidadoso, de modo a não cometer erros na dosagem dos medicamentos que está a tomar.

  • Não beba álcool em excesso.

  • Use sapatos bem ajustados, com solas antiderrapantes (de preferência com ranhuras).

  • Evite usar solas de cabedal e protectores de metal.

  • Os sapatos devem ter saltos largos, calcanhares reforçados e presilhas ou atacadores, de modo a evitar que os pés se movimentem dentro dos sapatos.

  • Evite usar chinelos.

  • Não use camisas de noite ou roupões compridos.

  • Disponha os móveis da casa de maneira sensata.

  • Deixe espaço para poder andar de um lado para o outro sem encontrar obstáculos.

  • Não ande sobre pavimentos escorregadios (molhados ou encerados); os tapetes devem cobrir todo o chão de uma parede à outra ou possuírem forro antiderrapante.

  • A mobília não deve ter rodas e a cama e as cadeiras não devem ser demasiado baixas ou altas.

  • Coloque barras de apoio na banheira, no chuveiro e ao lado da sanita.

  • Utilize tapetes de borracha antiderrapantes no chuveiro e na banheira.

  • Ilumine convenientemente toda a casa - quarto, corredor, sala, cozinha e casa de banho.

  • As escadas devem ter boa iluminação, corrimãos seguros e degraus antiderrapantes.

  • Utilize a visão que tem, nas melhores condições. Se precisar de óculos, use-os.

  • Não coloque no chão pequenos tapetes.

  • Não deixe gavetas abertas.

  • Não deixe fios eléctricos ou do telefone no chão. Fixe-os às paredes.

  • Mantenha todos os utensílios eléctricos em boas condições de funcionamento e a salvo de salpicos de água.

  • Nunca os utilize quando estiver a mexer em água.

  • O aquecimento deve ter boa ventilação e devem ser usadas redes de protecção nas lareiras.

  • O relvado, o jardim, o pátio, as passagens para carros e passeios devem estar desimpedidas, sem buracos, fendas ou outras irregularidades.

  • Procure não estar sozinho. Não se isole, pois isso pode atrasar a chegada de ajuda do exterior no caso de acidente.

  • Esteja atento a movimentos inesperados de animais, crianças e bicicletas.

  • Traga consigo uma lanterna e utilize-a para que possa ver e ser visto na escuridão.

  • Não tenha vergonha de pedir ajuda para atravessar a rua.

  • Use bengala, se o seu médico concordar.

  • Tenha uma campainha perto de si, sempre que possível.

Se acontecer um acidente:



  • Se cair, procure levantar-se de forma correcta - dobre-se sobre o estômago, ponha-se de gatas e gatinhe até à peça de mobília que se encontra mais próxima de si.

  • Coloque as mãos sobre ela e ponha um dos pés à frente, bem assente no chão.

  • Levante-se e, em seguida, sente-se, até se encontrar recuperado.

  • Se não conseguir levantar-se, tente pedir ajuda - a colocação de uma campainha no chão do quarto, debaixo de uma cadeira, ou de um telefone, juntamente com os números de emergência num banco baixo, constitui precaução sensata a tomar.

  • O Serviço TeleAlarme pode ser muito útil.

  • Tente manter-se quente até chegar alguém para o ajudar. Puxe os tapetes próximos para cima de si, por exemplo, casacos ou os lençóis, o que estiver à mão.

  • Se sofrer um corte ou queimadura, procure a ajuda de um médico ou enfermeiro.

  • Se sofrer um acidente, não o considere um acontecimento de mau presságio e não limite as suas actividades.

  • Pelo contrário, não se esqueça de que a actividade física o ajuda a manter-se mais saudável


Uma boa higiene oral e alguns cuidados básicos podem garantir-lhe dentes e gengivas saudáveis uma vida inteira.




Como posso manter uma boa saúde oral na terceira idade?


  • Independentemente da idade que tem, se fizer uma boa higiene oral, escovando os dentes pelo menos duas vezes por dia com uma pasta dentífrica fluoretada, usando o fio dentário ou outro meio de remoção da placa bacteriana interdentária diariamente, os dentes podem e devem durar toda a vida.

  • As visitas regulares ao profissional de saúde oral também são muito importantes, pois permitem o diagnóstico precoce de qualquer problema que surja.

  • Por vezes, devido a perda de peças dentárias, muitos indivíduos utilizam próteses dentárias.

  • Nesses casos, são essenciais cuidados de limpeza da(s) prótese(s).

  • Estas devem ser escovadas diariamente com uma escova própria para o efeito.

  • Também existem soluções no mercado próprias para a limpeza das próteses.

Que cuidados de saúde oral devo ter em conta enquanto idoso?



  • Mesmo que escove e use o fio dentário (ou escovilhões) regularmente, o idoso poderá deparar-se com alguns problemas de saúde oral.

  • No caso de usar próteses dentárias deve prestar especial atenção ao desgaste das mesmas e ao seu ajuste na boca.

  • Alguns medicamentos podem induzir alterações da quantidade e qualidade da saliva e provocar alterações no estado de saúde oral. Assim, caso sinta ardor ou secura da boca, deve contactar imediatamente o profissional de saúde.

  • Felizmente, os profissionais de saúde podem ajudá-lo a ultrapassar estes problemas com grande sucesso.


Tome nota de algumas situações:



  • Cáries radiculares: quando existe recessão gengival, as raízes dos dentes podem ficar expostas, ficando mais susceptíveis à cárie dentária.

  • Como os idosos apresentam uma maior predisposição para recessões gengivais, para manter uma boa higiene oral é fundamental usar uma pasta dentífrica fluoretada.

  • A boca seca é um problema comum nos idosos e pode ser causado por medicação ou por certas doenças. O seu profissional de saúde pode dar-lhe indicações para restabelecer a humidificação da sua boca, assim como recomendar tratamentos ou medicamentos que ajudem a prevenir os problemas associados à boca seca.

  • A diabetes, as doenças cardíacas ou o cancro, entre outras doenças, podem afectar a sua saúde oral. Certifique-se de que o profissional de saúde oral está a par dos seus problemas de saúde, de modo a que possa perceber toda a situação e ajudá-lo a ter cuidados específicos com a saúde oral.

  • As próteses removíveis podem ser muito úteis aos idosos, mas requerem cuidados especiais, quer na sua utilização, quer na sua higienização. Siga cuidadosamente as instruções dadas pelo seu profissional de saúde oral e avise-o se surgirem problemas.


Prepare-se para envelhecer com qualidade. Proteja a sua saúde, seguindo algumas recomendações simples, mas eficazes.




1) Faça exercício diariamente
Andar todos os dias é uma das melhores formas de praticar exercício. Ande ao seu ritmo e mantenha o corpo e a cabeça direitos. Ande entre 30 a 45 minutos por dia, se for possível, e use calçado adequado.
Fazer exercícios diários de pé ou deitado também é útil e, se orientados por um especialista, tornam-se até mais eficazes.
Nadar também é recomendado, assim como andar de bicicleta e até mesmo dançar.
Escolha a actividade da sua preferência e, se possível, pratique-a todos os dias.

2) Adopte uma alimentação saudável
A alimentação correcta é um dos factores que maior influência tem na sua saúde e no seu bem-estar. Deve ingerir por dia, no mínimo, um alimento de cada um dos seguintes grupos:
Pão, batatas, arroz, massas, farinha, cereais;
Carne, peixe, ovos, leite e produtos lácteos, feijão, lentilhas, ervilhas;
Margarina, óleo, gorduras;
Vegetais (cenouras, couves, tomates, pepinos, alface);
Frutos (maçãs, peras, melão, laranjas, pêssegos).
Não se preocupe se os alimentos são frescos, congelados, pré-cozinhados ou de conserva. O importante é que coma todos os dias fruta e vegetais frescos.

Deve comer, pelo menos, uma refeição quente por dia. Pode cozinhar uma quantidade maior e depois dividi-la em doses diárias e guardá-las no frigorifico ou no congelador.

Coma entre três a cinco refeições por dia a horas certas. Não coma demasiado.

Se tiver dificuldade em mastigar, coma produtos mais macios, como ovos, lacticínios ou papas, ou coza o peixe, os vegetais e a carne até ficarem bem tenros. Se achar necessário, esmague ou pique os alimentos. Beba sumos de fruta e de vegetais.

Beba muitos líquidos (dois litros por dia), em especial quando o tempo está quente. Beba, sobretudo, água e bebidas não açucaradas. Se tiver que usar açúcar, ponha pouca quantidade.

Se sofrer de obstipação (prisão de ventre), beba mais líquidos.

Não utilize muito sal. Para melhorar o sabor dos alimentos nos cozinhados use cebola, alho, funcho, pimenta e outras especiarias.

3) Má nutrição
A má nutrição pode resultar da deficiente absorção dos alimentos, de uma alimentação carenciada ou do excesso alimentar. A obesidade, por exemplo, resulta da ingestão excessiva de calorias e de se comer mais do que o necessário.

Evite as gorduras em excesso.

Evite, em especial, carne gorda, salsichas, queijo gordo e leite gordo.

Utilize margarina ou óleos vegetais, em vez de manteiga e banha.

Inclua na sua dieta leite magro, queijo magro e iogurte. Estes alimentos fornecem cálcio, muito necessário ao fortalecimento de ossos e dentes.

Saiba mais sobre os autocuidados na saúde e na doença. Consulte os guias para as pessoas idosas elaborados pela Direcção-Geral da Saúde.

Envelhecimento



O envelhecimento faz parte natural do ciclo da vida. É, pois, desejável que seja vivido de forma saudável.



O envelhecimento faz parte natural do ciclo da vida. É, pois, desejável que constitua uma oportunidade para viver de forma saudável, autónoma e independente, o maior tempo possível.

O envelhecimento deve ser pensado ao longo da vida. O ideal é, desde cedo, ter uma atitude preventiva e promotora da saúde e da autonomia na velhice.

A prática de actividade física moderada e regular, uma alimentação saudável, não fumar, o consumo moderado de álcool e a participação na sociedade são factores que contribuem para a qualidade de vida em todas as idades e, em particular, no processo de envelhecimento.

O sistema de saúde dispõe, numa perspectiva individual, de uma rede de prestação de cuidados de saúde (com serviços integrados, centrados em equipas multidisciplinares e com recursos humanos devidamente formados), com uma componente de recuperação global e de acompanhamento das pessoas idosas, designadamente através da rede de cuidados continuados, que, por sua vez, integram cuidados de longa duração.

Uma boa saúde é essencial para que as pessoas mais idosas possam manter uma qualidade de vida aceitável e possam continuar a assegurar os seus contributos na sociedade. Pessoas idosas activas e saudáveis, para além de se manterem autónomas, constituem um importante recurso para as suas famílias, comunidades e até para a economia do país.

Porém, nem sempre é possível viver o envelhecimento em plena saúde. A maioria das pessoas chega a idosa com doenças crónicas e não transmissíveis. As patologias incapacitantes mais frequentes nas pessoas idosas são as fracturas, incontinência, perturbações do sono, perturbações ligadas à sexualidade, perturbações de memória, demência (nomeadamente doença de Alzheimer, doença de Parkinson), problemas auditivos, visuais, de comunicação e da fala.

Mas isso não significa, necessariamente, que se tornem incapazes de lidar com a sua evolução ou que não possam prevenir o aparecimento de complicações.

O que são doenças geriátricas?
Algumas doenças, denominadas, por vezes, de síndromas ou doenças geriátricas, apresentam-se quase exclusivamente em adultos de idade avançada.

Também se incluem nas perturbações geriátricas aquelas que afectam os indivíduos de todas as idades, mas que na velhice são mais frequentes ou mais graves ou que causam sintomas ou complicações diferentes.

A geriatria é a especialidade médica que se ocupa das pessoas de idade avançada e das doenças de que sofrem.

Não há uma idade específica que determine a velhice, contudo, para efeitos de estudos, estatísticas, etc. consideram-se pessoas idosas as que têm mais de 65 anos, por ser a idade habitual da reforma.

Cuidar de Doente com Doença de Alzheimer

Comunicar, alimentar-se, vestir-se e cuidar da higiene pessoal são algumas das acções rotineiras que, aos poucos e poucos, o doente de Alzheimer vai deixar de conseguir realizar.

Aqui ficam algumas sugestões para quem cuida de doentes de Alzheimer. Para bem do doente e do próprio cuidador.

Como se comunica com o doente de Alzheimer?
É normal o doente não encontrar as palavras que precisa para se expressar ou não compreender os termos que ouve.

  • Como deve reagir:
    Esteja próximo e olhe bem para o seu doente, olhos nos olhos, quando conversam;
  • Permaneça calmo e quieto.
  • Fale clara e pausadamente, num tom de voz nem demasiado alto nem demasiado baixo;
  • Evite ruídos (rádio, televisão ou conversas próximas);
    Se for possível, segure na mão do doente ou ponha a sua mão no ombro dele. Demonstre-lhe carinho e apoio.
  • Em todas as fases da doença, é necessário manter uma atitude carinhosa e tranquilizadora, mesmo quando o doente parece não reagir às nossas tentativas de comunicação e às nossas expressões de afecto.
  • Lembre-se, também, que é preciso verificar se a pessoa doente tem problemas de visão, audiçãoou outros problemas de saúde, designadamente de saúde oral, necessidade de usar óculos ou de ajustamento das próteses dentárias ou auditivas.
  • Vaguear, deambular e andar sem rumo é um perigo.

O que fazer para o minimizar?

  • Andar sem saber para onde e com que objectivo é característico dos doentes de Alzheimer, a partir de uma determinada fase. E é um perigo enorme.
  • Eis algumas sugestões para minimizar esse perigo:
    O doente deve trazer sempre algo que o identifique, por exemplo, uma pulseira com o nome, morada e telefone;
  • Previna os vizinhos e comerciantes próximos do estado do doente. Estes podem ajudá-lo em qualquer momento caso se perca e peça informações;
  • Em casa, feche as portas de saída para a rua, para evitar que o doente vá para o exterior sem que dê por isso;
  • Tenha uma fotografia actualizada do doente, para o caso deste se perder e precisar de pedir informações;
  • Se o doente quiser sair de casa, não deve impedi-lo de o fazer. É preferível acompanhá-lo ou vigiá-lo à distância e, depois, distraí-lo e convencê-lo a voltar a casa;
  • Pode ser necessário pedir aconselhamento ao médico assistente.
  • O que fazer quando o doente persiste em conduzir?

Esteja preparado.

No período inicial o doente vai tentar conduzir e, provavelmente, entrar em todos os carros de cor parecida com o dele.
Fale calmamente com o doente, lembrando-lhe que pode surgir algo de inesperado e que os seus reflexos talvez não ajudem. Sublinhe que o doente se sentiria muito infeliz se fosse culpado de um acidente;
Se não resultar, não deixe as chaves do carro num local acessível e que escape ao seu controlo. Esconda as chaves do carro (perderam-se) ou simule uma avaria;
Tente convencer a pessoa a utilizar os transportes públicos.

Como ajudar a manter a higiene do doente?
É normal o doente deixar de reconhecer a necessidade de tomar banho, de lavar os dentes, etc. Em suma, recusar cuidar da sua higiene pessoal e da sua higiene oral.
Não faça disso um “bicho de sete cabeças”. Se for possível, aguarde um pouco, pode ser que mude de disposição;
Simplifique a tarefa: tenha sempre em ordem e à mão as coisas que são necessárias, como sabão, sabonete ou espuma, toalhas, etc.;
Se o banho é de imersão, verifique a temperatura da água;
Instale pegas e tapetes que evitem escorregar dentro e fora da banheira. Há bancos e cadeiras adaptáveis à banheira, assim como outros dispositivos de apoio e ajuda que podem ser muito úteis;
Se o doente preferir tomar duche, deixe-o. O melhor é procurar manter a rotina a que a pessoa estava habituada;
Se o doente recusar mesmo tomar banho, então tente a lavagem parcial;
Aplique, se possível, cremes ou pomadas adequadas para evitar escaras.
Como ajudar o doente a vestir-se?
A certa altura o doente vai ficar embaraçado sobre o que vestir ou, eventualmente, recusar-se a vestir.

  • Para o ajudar:
  • Simplifique o mais possível a roupa a usar;
  • Evite laços, botões, fechos de correr (substitua-os por velcro), sapatos com atacadores, etc.;
  • Prepare as peças de roupa pela ordem que devem ser vestidas;
  • Procure que a pessoa se conserve bem vestida e elogie o seu bom aspecto;
  • Enquanto o doente tiver autonomia, deixe-o actuar conforme ainda pode.
  • Como ajudar o doente a alimentar-se?
    Sente o doente com o tronco bem direito e a cabeça firme;
  • Se necessário, ponha-lhe um grande guardanapo só para comer;
  • Não tagarele com o doente durante a refeição;
  • Aguarde que a boca esteja vazia para fazer alguma pergunta;
  • Dê-lhe tempo para comer tranquilamente e não o contrarie se ele quiser comer à mão;
  • Dê-lhe bocados pequenos de alimentos sólidos; por vezes, o doente poderá preferir alimentos passados ou batidos;
  • Faça-o mastigar bem e assegure-se de que a boca permanece fechada durante a mastigação e a deglutição.
  • Verifique se há restos de alimentos na boca;
  • Pouse-lhe a chávena ou o copo, depois de cada gole, fazendo uma pausa. Note que dar-lhe de beber é muitas vezes difícil;
  • Deixe-o deglutir uma segunda vez, se alguns alimentos ainda estiverem na boca;
  • Lave-lhe cuidadosamente a boca depois de cada refeição para evitar que restos de alimentos passem para os pulmões. Com uma gaze húmida, limpe-lhe o interior das faces.
  • Use uma pasta dentífrica infantil;
  • Deixe o doente sentado durante 20 minutos após a refeição.
  • O que fazer quando o doente se mostra agressivo?
  • Em certas fases da doença é normal que o doente se torne agressivo. Sente-se incapaz de realizar tarefas simples (vestir-se, lavar-se, alimentar-se), reconhece que está a perder a independência, a autonomia e a privacidade, o que é muito frustrante.
  • A agressividade pode manifestar-se de diversas formas, tais como ameaças verbais, destruição de objectos que estejam próximos ou mesmo violência física.
  • Como deve reagir:
  • Se possível, procure compreender o que originou a reacção agressiva.
  • Não deve partir do princípio que o doente o quer agredir ou ofender pessoalmente;
  • Evite discutir, ralhar ou fazer qualquer coisa que se assemelhe a um castigo.
  • Não force contactos físicos e deixe-lhe bastante espaço livre;
  • Procure manter-se calmo, não manifeste ansiedade, medo ou susto.
  • Fale calma e tranquilamente e procure desviar a atenção do doente para qualquer outra coisa.
  • Não tente lidar com tudo sozinho. Pode deprimir-se ou esgotar-se.
  • Procure ajuda e aconselhamento médico se não conseguir lidar com a situação.
  • Como prevenir que surjam crises de agressividade?
  • Não seja demasiado exigente com a rotina diária do doente;
  • Deixe que o doente faça o que ainda lhe é possível fazer, ao seu ritmo, sem pressas e sem exigir a perfeição;
  • Não critique, antes pelo contrário, elogie (mas não exagere);
  • Ajude, mas de forma a não parecer estar a dar ordens;
  • Procure que o doente faça actividades que lhe interessem;
  • Assegure-se de que o doente faz exercício físico suficiente;
  • Esteja atento a sinais que possam indiciar crise iminente e procure distrair a atenção do doente.

Ao Cuidador:

É extremamente difícil cuidar de um doente de Alzheimer. Tem de acompanhar o doente ao longo do tempo, viver um dia-a-dia que se torna progressivamente mais difícil e experimentar sentimentos diversos, muitos deles negativos.

É normal que sinta tristeza pela sensação de que a pouco e pouco vai perdendo alguém que lhe é muito querido.

Sentirá também frustração, pois tem a consciência de que todos os seus cuidados, atenção e carinho não impedem a progressão da doença.

Vai sentir culpa, pela falta de paciência que por vezes tem, pelo sentimento de revolta em relação ao próprio doente, pela situação que vive e por poder admitir a hipótese de procurar um lar.

Poderá também sentir solidão, pelo afastamento gradual da família e dos amigos, pela impossibilidade de deixar o doente, pela falta de convívio.

Todos esses sentimentos negativos não significam que não seja um bom prestador de cuidados e de apoio. São apenas reacções humanas!

Pelo que, para seu bem e para o bem do seu doente:

  • Não se recrimine demasiado;
  • Cuide de si e vigie a sua saúde;
  • Sensibilize os seus familiares para o ajudarem. Esclareça-os sobre a doença e sobre o modo como podem colaborar consigo;
  • Conheça os seus limites e tente encontrar auxílio;
  • Lembre-se que a sua presença, a sua ternura, o seu amor são indispensáveis, quer mantenha o doente em casa quer tenha de recorrer a internamento numa instituição.

Sinais e Sintomas



1. Perda de memória
É normal esquecer ocasionalmente reuniões, nomes de colegas de trabalho, números de telefone de amigos, e lembrar-se deles mais tarde.
Uma pessoa com a doença de Alzheimer esquece-se das coisas com mais frequência, mas não se lembra delas mais tarde, em especial dos acontecimentos mais recentes.

2. Dificuldade em executar as tarefas domésticas
As pessoas muito ocupadas podem temporariamente ficar tão distraídas que chegam a deixar as batatas no forno e só se lembram de as servir no final da refeição.
O doente de Alzheimer pode ser incapaz de preparar qualquer parte de uma refeição ou esquecer-se de que já comeu.

3. Problemas de linguagem
Toda a gente tem, por vezes, dificuldade em encontrar a palavra certa.
Porém, um doente de Alzheimer pode esquecer mesmo as palavras mais simples ou substituí-las por palavras desajustadas, tornando as suas frases de difícil compreensão.

4. Perda da noção do tempo e desorientação
É normal perdermos – por um breve instante – a noção do dia da semana ou esquecermos o sítio para onde vamos.
Porém, uma pessoa com a doença de Alzheimer pode perder-se na sua própria rua, ignorando como foi dar ali ou como voltar para casa.

5. Discernimento fraco ou diminuído
As pessoas podem por vezes não ir logo ao médico quando têm uma infecção, embora acabem por procurar cuidados médicos.
Um doente de Alzheimer poderá não reconhecer uma infecção como algo problemático e não ir mesmo ao médico ou, então, vestir-se inadequadamente, usando roupa quente num dia de Verão.

6. Problemas relacionados com o pensamento abstracto
Por vezes, as pessoas podem achar que é difícil fazer as contas dos gastos.
Mas, alguém com a doença de Alzheimer pode esquecer completamente o que são os números e o que tem de ser feito com eles. Festejar um aniversário é algo que muitas pessoas fazem, mas o doente de Alzheimer pode não compreender sequer o que é um aniversário.

7. Trocar o lugar das coisas
Qualquer pessoa pode não arrumar correctamente a carteira ou as chaves.
Um doente de Alzheimer pode pôr as coisas num lugar desajustado: um ferro de engomar no frigorífico ou um relógio de pulso no açucareiro.

8. Alterações de humor ou comportamento
Toda a gente fica triste ou mal-humorada de vez em quando.
Alguém com a doença de Alzheimer pode apresentar súbitas alterações de humor – da serenidade ao choro ou à angústia – sem que haja qualquer razão para tal facto.

9. Alterações na personalidade
A personalidade das pessoas pode variar um pouco com a idade.
Porém, um doente com Alzheimer pode mudar totalmente, tornando-se extremamente confuso, desconfiado ou calado. As alterações podem incluir também apatia, medo ou um comportamento inadequado.

10. Perda de iniciativa
É normal ficar cansado com o trabalho doméstico, as actividades profissionais do dia-a-dia ou as obrigações sociais; porém, a maioria das pessoas recupera a capacidade de iniciativa.
Um doente de Alzheimer pode tornar-se muito passivo e necessitar de estímulos e incitamento para participar.
Para saber mais, consulte:

Doença de Alzeimer



O que é a doença de Alzheimer?
A doença de Alzheimer é uma doença do cérebro (morte das células cerebrais e consequente atrofia do cérebro), progressiva, irreversível e com causas e tratamento ainda desconhecidos. Começa por atingir a memória e, progressivamente, as outras funções mentais, acabando por determinar a completa ausência de autonomia dos doentes.
Os doentes de Alzheimer tornam-se incapazes de realizar a mais pequena tarefa, deixam de reconhecer os rostos familiares, ficam incontinentes e acabam, quase sempre, acamados.
É uma doença muito relacionada com a idade, afectando as pessoas com mais de 50 anos. A estimativa de vida para os pacientes situa-se entre os 2 e os 15 anos.
Qual é a causa da doença de Alzheimer?
A causa da doença de Alzheimer ainda não está determinada.
No entanto, é aceite pela comunidade científica que se trata de uma doença geneticamente determinada, embora não seja necessariamente hereditária. Isto é, não implica que se transmita entre familiares, nomeadamente de pais para filhos.
Como se faz o diagnóstico?
Não há nenhum exame que permita diagnosticar, de modo inquestionável, a doença. A única forma de o fazer é examinando o tecido cerebral obtido por uma biopsia ou necrópsia.
Assim, o diagnóstico da doença de Alzheimer faz-se pela exclusão de outras causas de demência, pela análise do historial do paciente, por análises ao sangue, tomografia ou ressonância, entre outros exames.
Existem também alguns marcadores, identificados a partir de exame ao sangue, cujos resultados podem indicar probabilidades de o paciente vir a ter a doença de Alzheimer.
Quais são os sintomas da doença de Alzheimer?
Ao princípio observam-se pequenos esquecimentos, perdas de memória, normalmente aceites pelos familiares como parte do processo normal de envelhecimento, que se vão agravando gradualmente. Os pacientes tornam-se confusos e, por vezes, agressivos, passando a apresentar alterações da personalidade, com distúrbios de conduta. Acabam por não reconhecer os próprios familiares e até a si mesmos quando colocados frente a um espelho.
À medida que a doença evolui, tornam-se cada vez mais dependentes de terceiros, iniciam-se as dificuldades de locomoção, a comunicação inviabiliza-se e passam a necessitar de cuidados e supervisão integral, até mesmo para as actividades elementares do quotidiano, como alimentação, higiene, vestuário, etc.
Qual é o tratamento adequado?
A doença de Alzheimer não tem cura e, no seu tratamento, há que atender a duas variáveis:
Ao tratamento dos aspectos comportamentais. Nesta vertente, além da medicação, convém também contar com orientação de diferentes profissionais de saúde;
Ao tratamento dos desequilíbrios químicos que ocorrem no cérebro. Há medicação que ajuda a corrigir esses desequilíbrios e que é mais eficaz na fase inicial da doença, mas, infelizmente, tem efeito temporário. Por enquanto, não há ainda medicação que impeça a doença de continuar a progredir.